O Projeto Plantando Lírios iniciou, neste mês de agosto, uma nova etapa de atuação nas escolas, ampliando o trabalho desenvolvido pela OSC Lírios na promoção dos direitos humanos e no enfrentamento às diferentes formas de violência.
A proposta nasce da experiência acumulada pela instituição no acolhimento de pessoas em situação de violência doméstica e leva esse conhecimento para dentro do ambiente escolar por meio da psicoeducação, do fortalecimento dos fatores de proteção e da promoção da saúde mental.
Em 2026, o projeto direciona especialmente o olhar para a prevenção das violências contra crianças e adolescentes, trabalhando informações sobre direitos, identificação de sinais de violência, formas de pedir ajuda e acesso à rede de atendimento. A mudança de foco foi definida a partir das demandas identificadas durante a experiência do projeto em 2025.
A dimensão alcançada no último ano mostra a importância do trabalho. Em 2025, o Plantando Lírios passou por 55 escolas, beneficiou 8.408 alunos e realizou 220 sessões de apoio psicossocial.
Informação para que crianças reconheçam situações de violência
Um dos principais objetivos desta nova etapa é ajudar crianças e adolescentes a compreenderem que a violência doméstica pode se apresentar de diferentes maneiras.
O material educativo utilizado pelo projeto aborda situações de violência física, psicológica, negligência, violência sexual e patrimonial, utilizando exemplos adequados para facilitar a compreensão dos estudantes.
A proposta é mostrar que a casa deveria representar proteção, amor e segurança, mas que algumas crianças podem vivenciar medo, dor ou tristeza dentro do próprio ambiente familiar. Reconhecer essas situações é um primeiro passo para buscar proteção.
O projeto também trabalha os impactos emocionais da violência. Medo, tristeza, vergonha, raiva, solidão e até dificuldades de aprendizagem podem surgir entre crianças e adolescentes que convivem com situações violentas.
Comunicação Não Violenta entra na sala de aula
Outro eixo importante é a Comunicação Não Violenta (CNV). Os estudantes aprendem maneiras de expressar sentimentos e necessidades sem recorrer a julgamentos, ameaças ou agressividade.
Entre os pontos trabalhados estão a observação sem julgamento, a identificação e nomeação das emoções, o reconhecimento das necessidades e a realização de pedidos claros e concretos.
A metodologia também utiliza elementos lúdicos para facilitar o aprendizado. O material apresenta, por exemplo, a chamada “Língua do Chacal”, associada à comunicação baseada em julgamento, culpa e medo, e a “Língua da Girafa”, utilizada para representar uma comunicação mais empática e acolhedora.
Para 2026, as ações incluem palestras interativas, psicoeducação, Comunicação Não Violenta, atividades lúdicas, Caixa de Segredos, identificação de demandas, acolhimento, encaminhamento e fortalecimento da rede de proteção.
“Segredos que machucam precisam ser contados”
Um dos pontos mais sensíveis trabalhados com os estudantes é a importância de falar quando alguma situação provoca medo, tristeza, vergonha ou desconforto.
O conteúdo apresentado às crianças reforça que existem segredos que machucam e que, nesses casos, é necessário procurar um adulto de confiança ou algum integrante da rede de proteção.
Professores, direção escolar, psicólogos, assistentes sociais e Conselho Tutelar aparecem entre as referências de apoio apresentadas durante as atividades. O material também orienta sobre o Disque 100, serviço gratuito para denúncias e busca de proteção.
A mensagem transmitida aos alunos é direta: toda criança e adolescente tem direito a ser protegido, respeitado, crescer em segurança e receber ajuda quando precisar.
Prevenção, diálogo e cultura de paz
Além da identificação da violência, o Plantando Lírios quer transformar informação em proteção. Entre os impactos buscados estão a prevenção, o fortalecimento do diálogo entre alunos, escola e famílias e o desenvolvimento da empatia e de habilidades socioemocionais.
O trabalho também busca contribuir para a construção de uma cultura de paz dentro das escolas, criando ambientes mais seguros, acolhedores e preparados para identificar situações que exigem atenção.
Ao levar o debate para o espaço escolar, a Lírios aproxima crianças e adolescentes de informações que podem ajudá-los a compreender seus direitos, reconhecer comportamentos inadequados e, principalmente, saber que não precisam enfrentar situações de violência sozinhos.
Agenda do Projeto Plantando Lírios — Agosto de 2026
03/08 — EMEB Ângela Jardim Botelho
04/08 — EMEB Ângela Jardim Botelho
05/08 — EMEB Vereador Estevan Ferreira da Cunha
10/08 — EMEB Ana Francisca de Barros
11/08 — EMEB David Mayer
12/08 — EMEB Benedito Nassarden Abraão
17/08 — EMEB Ver. Zeno Carlos Roberto
18/08 — EMEB Gonçalo Domingos de Campos – CAIC
19/08 — EMEB Gonçalo Domingos de Campos – CAIC
24/08 — EMEB Juvenilia Monteiro Nilza
25/08 — EMEB Prof. Irenice Godoy de Campos e Silva
26/08 — EMEB Antônio Lino de Campos de Monteiro
31/08 — EMEB Benedita Bernadina Curvo