OSC Lírios participa de palestra no TRT sobre violência contra a mulher

A Organização da Sociedade Civil Lírios participou, no dia 15 de junho, de uma palestra realizada a convite do Tribunal Regional do Trabalho (TRT), com o tema “Violência contra a Mulher: Prevenção, Acolhimento e Redes de Proteção”. A atividade teve como foco a conscientização, a identificação de sinais de violência, o acolhimento humanizado e a importância da atuação integrada da rede de proteção.

O encontro promoveu uma reflexão sobre as diferentes formas de violência de gênero, os mecanismos de proteção existentes e os desafios enfrentados pelas mulheres em situação de violência. Também foram abordados temas como direitos das mulheres, acesso aos serviços públicos, prevenção, escuta qualificada e estratégias de enfrentamento.

A programação foi conduzida pela Defensora Pública Tânia Mattos e pelas psicólogas Bruna Luiza e Thais Tirapeli, reunindo perspectivas jurídicas, psicológicas e institucionais sobre o tema. A abordagem interdisciplinar contribuiu para ampliar a compreensão dos participantes sobre a importância da atuação conjunta entre instituições públicas e organizações da sociedade civil.

Durante sua participação, a Defensora Pública Tânia Mattos apresentou reflexões sobre a trajetória histórica das políticas públicas voltadas às mulheres no Brasil. Ela destacou o processo de construção dos direitos femininos, a importância da participação social e os avanços conquistados ao longo dos anos.

Também foram abordados os fundamentos constitucionais que asseguram a promoção da igualdade de gênero, bem como os desafios ainda existentes para a efetivação das políticas públicas destinadas às mulheres. A exposição reforçou a necessidade de fortalecimento das políticas de proteção, da ampliação da participação feminina nos espaços de decisão e da articulação permanente entre Estado e sociedade.

Na sequência, a psicóloga Bruna Luiza conduziu uma explanação sobre os aspectos psicológicos presentes nos ciclos de violência. Foram apresentadas reflexões sobre comportamentos aprendidos, experiências vivenciadas ao longo da vida, construção de crenças, padrões relacionais e formas de percepção de si e do outro.

A profissional destacou que determinadas experiências podem contribuir para a naturalização de comportamentos abusivos, dificultando o reconhecimento da violência em suas fases iniciais. Também foram apresentados sinais de alerta em relações marcadas pela violência, como controle excessivo, humilhações, ameaças, isolamento social, ciúmes exacerbados e controle financeiro.

Outro ponto abordado foi a importância do acolhimento humanizado, com escuta qualificada, validação das experiências vividas, respeito à autonomia das mulheres e construção de espaços seguros para o fortalecimento emocional. A palestra também apresentou ações desenvolvidas pela OSC Lírios voltadas ao acolhimento, à promoção da dignidade, à autonomia e ao fortalecimento das mulheres atendidas.

A psicóloga Thais Tirapeli apresentou dados referentes aos atendimentos clínicos realizados pela OSC Lírios, destacando a importância da construção de um banco de dados institucional como ferramenta de organização, monitoramento e planejamento estratégico das ações desenvolvidas.

De acordo com o levantamento apresentado, nos meses de abril e maio foram acolhidas 70 mulheres, das quais 64 permaneceram em acompanhamento psicoterapêutico continuado. As demais receberam encaminhamentos específicos, conforme as necessidades identificadas durante o processo de avaliação técnica, incluindo acesso à rede de saúde mental e a serviços especializados.

Os dados demonstraram que as mulheres chegaram aos atendimentos por diferentes portas de entrada da rede de proteção, como CRAS, CREAS, Delegacia Especializada, Guarda Municipal, serviços de saúde, educação e projetos desenvolvidos pela própria OSC Lírios. A informação reforça a importância da articulação intersetorial e do funcionamento integrado da rede de proteção para garantir o acesso das mulheres aos serviços de acolhimento e atendimento especializado.

Durante a apresentação, também foi abordado o perfil das mulheres atendidas, com faixa etária entre 18 e 74 anos e maior concentração de atendimentos entre mulheres na faixa aproximada dos 27 aos 31 anos. Outro dado relevante foi o nível de escolaridade das usuárias: aproximadamente 55% das mulheres atendidas possuíam ensino superior.

Esse dado contribui para desconstruir a ideia de que a violência doméstica e familiar estaria restrita a determinados grupos sociais, econômicos ou educacionais. A análise evidenciou que a violência contra a mulher pode atingir mulheres independentemente da formação acadêmica, condição financeira ou acesso à informação.

A partir da prática clínica, também foram apresentadas reflexões sobre as diversas formas de violência observadas nos atendimentos. Foi destacado que a violência física raramente ocorre de maneira isolada, sendo frequentemente antecedida ou acompanhada por violência psicológica, manipulação emocional, coerção, controle, desvalorização da vítima, violência patrimonial, perseguição por ex-companheiros, monitoramento digital e outras formas contemporâneas de violência.

As palestrantes reforçaram ainda a importância do autoconhecimento como ferramenta de proteção e fortalecimento pessoal. O reconhecimento dos próprios limites, a compreensão dos sinais presentes em relações abusivas e o acesso a espaços de escuta e acompanhamento psicológico foram apontados como fatores fundamentais para a prevenção da violência e para o fortalecimento da autonomia feminina.

Ao longo da atividade, os participantes receberam orientações sobre os serviços que compõem a rede de proteção às mulheres em situação de violência, envolvendo assistência social, saúde, segurança pública, sistema de justiça e organizações da sociedade civil.

A palestra constituiu um importante espaço de sensibilização, formação e compartilhamento de conhecimentos, contribuindo para ampliar a compreensão sobre a violência contra a mulher e fortalecer estratégias de prevenção, acolhimento e enfrentamento. A participação da OSC Lírios reafirmou o compromisso institucional com a promoção da autonomia das mulheres, a proteção integral, a dignidade e a garantia dos direitos humanos.