Para iniciar a explicação sobre os benefícios da caridade em nossas vidas é preciso refletir sobre o que é realmente caridade? As respostas serão variadas, pois muitas vezes ela pode estar camuflada na autopromoção ou alimentação do ego. A verdadeira caridade é o despertar para um sentimento nobre dentro de nós, mas uma coisa é certa, e que a ciência já provou que ser caridoso é ser feliz, como explica o Dr. Love, Paul Zak.
“Características pessoais, como a generosidade e a compaixão, e até mesmo decisões sobre como gastar o dinheiro, são influenciadas pela química cerebral. Essa é uma das conclusões das pesquisas desenvolvidas pelo americano Paul Zak, fundador da neuroeconomia, uma nova ciência que estabelece relação direta entre hormônios, comportamentos e economia. Conhecido como Dr. Love por realçar o papel de uma substância identificada com o amor e a moral, a ocitocina. Em seus estudos, Zak tenta comprovar como a química cerebral define as relações de confiança na sociedade e na economia. ”
De acordo com Paul Zak, a ocitocina “é um hormônio produzido no hipotálamo, glândula do tamanho de uma ervilha localizada na base do cérebro. Tem maiores concentrações em mulheres do que em homens, mas está presente nos dois gêneros. Estudos investigam seu papel no reconhecimento social, na ligação entre parceiros e na ansiedade. Por isso, é chamado de “hormônio do amor”.
Assim como prova a ciência, a generosidade e caridade beneficia muito mais quem a prática do que quem a recebe. A caridade é ensinada por todas as religiões, pois é um ato de amor ao próximo, um ato de humildade, mas devemos acautelarmos para não se tornar autopromoção. Mesmo a caridade praticada sem amor tem seus benefícios, pois quando exercitamos esse ato de amor, nosso cérebro liberará mais ocitocina e então sentiremos uma felicidade incomensurável. Então, nesse momento começa a transformação, o que antes era autopromoção ou alimento do ego, passa ser o ato de caridade verdadeira sem segundas intenções.
A verdadeira caridade é aquela que é feita primeiro na intenção, que vem do coração, depois pelo ato realizado. Toda caridade nasce no nosso interior, nasce da bondade que temos em nosso coração, da centelha divina que habita em nós, isso se chama caridade. Quando falamos em caridade, logo vem em nossa mente doar algo físico, dinheiro etc…, mas existe uma mais nobres e que muitas vezes nos esquecemos. Quando doamos o nosso tempo para ouvir um amigo, é uma das mais nobres, o tempo doado a alguém.
Mesmo sem a intenção de adentrar no viés religioso, seria impossível falar sobre a caridade sem citar um dos maiores exemplos que já tivemos entre nós nesse planeta, JESUS, homem de fé e maior exemplo de caridade que já habitou em nosso planeta, nos deixou muitos ensinamentos sobre o tema, sobre como devemos praticar a caridade. Na passagem bíblica temos em Mateus 22:36, Jesus nos ensina sobre caridade, “qual é o grande mandamento da Lei?”, a resposta de Jesus foi: “Amarás ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todo o teu entendimento”, uma referência à Shemá Israel, “Ouça, ó Israel: O Senhor, o nosso Deus, é o único Senhor. Ame o Senhor, o seu Deus, de todo o seu coração, de toda a sua alma e de todas as suas forças”. (Deuteronômio 6:4-5), antes de proclamar também o segundo mandamento, “Amarás ao teu próximo como a ti mesmo”, (Mateus 22:39), uma referência a “amarás o teu próximo como a ti mesmo” (Levítico 19:18). A maior parte das denominações cristãs considera estes dois mandamentos como o ponto central da religião cristã.
Amar o próximo como a si mesmo, fazer pelos outros o que quereríamos que os outros fizessem por nós, é a expressão mais completa da caridade, porque resume todos os deveres do homem para com o próximo. Com que direito exigiríamos do nosso semelhante melhor proceder, mais indulgência, mais benevolência e devotamento para conosco, do que os temos para com ele? A prática dessas máximas tende à destruição do egoísmo. Quando as adotarmos como regra de conduta, a humanidade compreenderá o que JESUS nos ensinou, e assim cumprirmos na íntegra o artigo 1º da Declaração Universal dos Direitos humanos:
Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e em direitos. Dotados de razão e de consciência, devem agir uns para com os outros em espírito de fraternidade.
Quando a humanidade realmente compreender o quanto é maravilhoso ser generoso/caridoso, reinará entre todas as nações a paz e a justiça. Não mais haverá ódio, nem dissensões, mas, tão-somente união, concórdia e benevolência mútua.
Para finalizar, temos outra referência de homem de fé e de caridade que passou pelo nosso planeta, Francisco de Assis, que nos deixou uma linda oração, que mais tarde se torno música e nos emociona e nos motiva a sermos mais caridosos;
“Senhor, fazei de mim um instrumento de vossa paz;
Onde houver ódio, que eu leve o amor;
Onde houver discórdia, que eu leve a união;
Onde houver dúvidas, que eu leve a fé;
Onde houver erros, que eu leve a verdade;
Onde houver ofensa, que eu leve o perdão;
Onde houver desespero, que eu leve a esperança;
Onde houver tristeza, que eu leve a alegria;
Onde houver trevas, que eu leve a luz.
Ó Mestre, fazei com que eu procure mais consolar,
que ser consolado;
Compreender, que ser compreendido;
Amar, que ser amado;
Pois é dando que se recebe;
É perdoando, que se é perdoado;
E é morrendo que se vive para a vida eterna.”
Que Deus nos abençoe e nos ilumine, para que sejamos cada dia mais generosos e caridosos, aproveitando todas as oportunidades de praticarmos a caridade.
Autor: Rodolfo Moraes Leme.
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